Após três dias, vítimas da tragédia de Brumadinho desocupam linha férrea
Protesto cobrava a continuidade do Programa de Transferência de Renda
Mário Campos (MG) - Depois de três dias de ocupação, as vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho desocuparam a linha férrea em Mário Campos, na Grande Belo Horizonte.
O protesto, iniciado na terça-feira, 28, bloqueou um trecho crucial do ramal logístico Paraopeba, utilizado pela mineradora Vale e outras empresas.
A mobilização foi uma forma de manifestar a indignação dos atingidos diante do fim do Programa de Transferência de Renda (PTR) e da lentidão nos processos de reparação.
A população alega que, mais de seis anos após o desastre, apenas cerca de 10% dos atingidos foram indenizados, e o Rio Paraopeba continua contaminado e inutilizável.
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) informou que o protesto cumpriu seu objetivo inicial.
Reivindicações e o Fim do PTR
As principais reivindicações dos manifestantes eram:
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Pagamento imediato do Programa de Transferência de Renda (PTR): O auxílio, que funcionava como medida de mitigação, teve seu recurso esgotado, embora a reparação integral esteja longe de ser concluída. Os atingidos defendem a continuidade com base na Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB).
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Direito à Assessoria Técnica Independente (ATI): As comunidades exigem o direito a uma assessoria técnica independente de sua escolha.
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Participação na Governança: Garantia de participação dos atingidos na gestão dos projetos de reparação.
O rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em janeiro de 2019, resultou na morte de 272 pessoas e despejou milhões de metros cúbicos de rejeitos, devastando a bacia do Rio Paraopeba. As ATIs estimam que, no ritmo atual, a Vale levaria 700 anos para limpar o rio.
A Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelos pagamentos, informou ter efetuado a última parcela regular do PTR no dia 1º de outubro de 2025.
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