Audiência pública em Poços debate projetos de terras raras na região

7 Mai, 2026 - 20:00
Audiência pública em Poços debate projetos de terras raras na região

Poços de Caldas (MG) - A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (AL-MG) promove nesta sexta-feira, 8, uma audiência pública para discutir a implantação de projetos de mineração de terras raras no Planalto Vulcânico de Poços de Caldas.

O encontro, requerido pela deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL), acontece às 18h30 no campus do Instituto Federal do Sul de Minas (IF Sul de Minas) e deve reunir moradores e lideranças de Caldas, Andradas, Águas da Prata e municípios vizinhos.

O foco central do debate são os projetos Colossus e Caldeira, de responsabilidade das mineradoras australianas Viridis e Meteoric, respectivamente.

Além destas, outras iniciativas de exploração mineral em municípios próxi-mos também estão sob análise.

Antes da audiência, mo-vimentos sociais e grupos políticos organizam a "Marcha em Defesa do Planalto Vulcânico", com concentração marcada para as 17h na Zona Sul, seguindo em caminhada até o local da reunião.

Impactos 
A principal preocupação dos organizadores e de especialistas locais recai sobre os impactos socioambientais.

Críticos aos projetos argumentam que os Estudos de Impacto Ambiental (EIA), elaborados pelas próprias mineradoras, são insuficientes para dimen-sionar os riscos à segurança hídrica e à saúde pública.

Há, ainda, alertas específicos sobre o manejo de materiais radioativos, frequentemente associados à extração de terras raras. 

O Ministério Público Federal (MPF) já manifestou preocupação quanto a inconsistências nos processos, reforçando a necessidade de maior rigor no licenciamento ambiental.

Representantes da sociedade civil também questionam a falta de transparência e de participação popular nas etapas iniciais dos empreendimentos, defendendo um controle social mais rígido sobre decisões que afetam o território.

Contexto geopolítico
As terras raras são minerais estratégicos utilizados globalmente na indústria de alta tecnologia, no desenvolvimento de matrizes energéticas renováveis e no setor bélico.

Devido ao alto valor agregado e à escassez de jazidas viáveis, a exploração na região do Sul de Minas está inserida em um cenário de disputa geopolítica internacional, atraindo o interesse de grandes potências econômicas.

O evento de sexta-feira será aberto ao público e servirá como espaço para que a população manifeste questionamentos e contribuições sobre a viabilidade dos projetos no Planalto Vulcânico.

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