O caminho de meu Si Fu (Mestre) Leo Imamura
Na coluna Na Garupa com o Tunico, crônicas sobre estradas, histórias e destinos mineiros. Uma visão pela alma e pelo coração do Tunico, sobre as experiências que se pode sentir sobre duas ou quatro rodas
No silêncio dos primeiros anos, um jovem iniciava seu percurso nas artes marciais - aos 8 anos, entre kimonos e katas, ouvia ainda os ecos do legado oriental em seu sangue.
Mas foi em 1979 que o destino, insistente, o conduziu ao Ving Tsun - os livros, os gestos, o primeiro alinhamento de braços que anunciava um novo caminho.
O destino o levou, então, a Nova York - 1987, East Broadway, Chinatown. Ali, em frente ao templo de Moy Yat, sofreu a tentação do autoconhecimento: um convite velado para seguir um mestre lendário, discípulo direto de Ip Man.
Neste momento Leo Imamura se torna um verdadeiro cidadão de um mundo globalizado: um descendente de japoneses, de origem brasileira, aceito por um mestre chines em Nova York.
Hoje isso pode parecer simples ou comum, mas no século passado isso era considerado um verdadeiro milagre. Pouco depois, recebeu seu nome marcial, Moy Yat Sang - “Nova Vida”, seria a promessa eterna de sua jornada.
Entre diplomas e turnês universitárias, transformou o Kung Fu em ensino superior - primeiro professor de Artes Marciais reconhecido pelo MEC, presidente da Federação Paulista de Kung Fu em 1994, um pioneiro.
Nos anos seguintes, veio o seu Jiu Paai, a formalização da sua Família, seu Clã Marcial (1989), o título de Mestre Sênior em 1996 e, em 1998, o inédito reconhecimento como Instrutor Sênior pela Ving Tsun Athletic Association - o único latino-americano a tal honra.
Em Atibaia, 15 de março de 2003, Si Fu lançou o Programa Moy Yat Ving Tsun de Inteligência Marcial - sua resposta e contribuição ao século XXI, uma proposta de pensamento estratégico, Alma Marcial na Vida.
Hoje, como Grão-Mestre (título recebido em 2015), lidera a Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence, estendendo raízes no Brasil, Argentina, Espanha, Estados Unidos - e ainda adentra o território estratégico da Inteligência Marcial corporativa.
Sua presença chegou a tocar os limiares da segurança: o BOPE no Rio de Janeiro, tropas especiais da ONU, marinha e exército - sempre transmitindo o Ving Tsun como escudo e bússola humana.
E há também o Instituto de Inteligência Estratégica - órgão onde o corpo e a mente se encontram, repleto de símbolos: o selo do Mestre esculpido por Moy Yat, o “pingo vermelho” que acende a alma humana sobre o branco da página.
Em 1997 as trilhas que eu seguia no mundo marcial me levaram até uma verdadeira Freeway conhecida como Moy Yat Ving Tsun. Iniciou-se ali uma verdadeira transformação na minha vida.
Um caminho traçado ao lado de meu Si Fu Moy Yat Sang levado por meu Sihing (irmão mais velho dentro da família Moy), Anderson Maia - Mestre de Minas Gerais, On Da San - que cumpriu seu papel representando nosso Si Fu no meu dia a dia de treinamento.
Assim como Moy Yat Sang percorria as distâncias de Nova York a São Paulo, e algumas vezes seu Sifu Moy Yat fazia o percurso contrário, estes anos de treinamento e desenvolvimento pessoal fortaleceram a relação no Sam Faat - Vida Kung Fu.
Assim também ocorreu comigo - Moy Hoh Laai, meu nome marcial. Idas e vindas de Belo Horizonte a São Paulo, em uma dedicação mútua, para nós carinhosamente reconhecida e valorizada como Vida Kung Fu, em um sistema familiar de zelo, responsabilidade e tradição, na manutenção de um legado transmitido há mais de 300 anos por meio de uma linguagem oral e gestual - onde o conhecimento não se encontra em livros ou manuais, mas é passado pessoalmente, através de conversas, histórias, exemplos e movimentos vividos lado a lado, olho no olho, braço tocando braço. Um conhecimento tácito guiado pelas mão sábias do Si Fu.
Esta singela crônica, repleta de gratidão, é um mapa que torna visível o invisível do tempo.
Foi - e é - um desenvolvimento pessoal lento e profundo, capaz de transformar homens comuns em filhos melhores, maridos melhores, pais melhores, profissionais, amigos… em seres humanos que buscam a melhoria constante de si mesmos.
Forjados ou lapidados com esforço, dedicação, paciência e muita, muita perseverança. Este é um caminho árduo. Vendo hoje o desenvolvimento e todo o legado de meu Si Fu, seu preparo e onde ele chegou e todo o seu potencial humano, que propiciou a formação de vários mestres de qualidade ilibada, me enche de orgulho tê-lo conhecido, ter sido aceito como seu aluno e posteriormente convidado a ser seu discípulo vitalício.
Estas são dádivas que a vida nos permite ter e ser - para pavimentar nossa evolução neste planeta, ajudarmos a melhorar a qualidade civilizatória começando por nós.
Sou muito grato por fazer parte, ainda que como um dos inúmeros coadjuvantes, dessas duas histórias que, neste ano, completam 37 e 35 anos de muito sucesso:
o Dia 8 de agosto 37 anos da Família Moy Yat Sang,
o Dia 15 de agosto 35 anos da Moy Yat Ving Tsun em Minas Gerais, pelas mãos do Si Fu Moy On Da San.
Dimensão do legado
• A Família Moy Yat Sang, fundada por Sifu Leo em 8 de agosto de 1988, é hoje um dos maiores clãs de Ving Tsun na América do Sul, com núcleos estabelecidos em: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Buenos Aires, além de presenças internacionais como Miami e Madri
• Com centenas de discípulos e praticantes espalhados pelo mundo – Brasil, Argentina, Estados Unidos e Europa –, esse legado se sustenta não apenas pela quantidade, mas também pela profundidade do sistema e do pensamento marcial.
Conclusão
“O Ving Tsun (ou Wing Chun) é um sistema chinês de inteligência estratégica fundado na Dinastia Ching (século XVIII).
O estilo, cuja elaboração é atribuída a uma mulher que se chamava Yim Ving Tsun, tem como aspectos centrais: movimentos rápidos e plenos de variações, a condução da força para legitimar as relações humanas em um conflito e a utilização do suave para vencer o robusto.
Em 2007, com o apoio da Unesco, o Ving Tsun Kung Fu foi declarado patrimônio cultural intangível pelo governo chinês”.
O legado de Sifu Leo Imamura é tanto quantitativamente sólido - com dezenas de mestres formados e uma rede ampla de núcleos - quanto qualitativamente profundo, mantendo vivas as tradições do Ving Tsun com seriedade e autenticidade.
Sua influência transcende fronteiras e se estende ao campo do desenvolvimento humano, do ensino superior à inteligência estratégica nas corporações.
• Clube de Mestres Seniors formados e Qualificados por Si Fu Moy Yat Sang (discípulos da 11ª Geração)
o Mestre Renato Almeida (Moy Ah Mei Da)
o Mestre Anderson Maia (Moy On Da San)
o Mestre Nataniel Rosa (Moy Na Tan)
o Mestre Julio Camacho (Moy Jo Lei Ou)
o Mestre Leandro Godoy (Moy Go Chai)
o Mestre Washington Fonseca (Moy Wa Sin Ton)
o Mestre Marcelo Navarro Fernández (Moy Ma Si Lou)
o Mestre Celso Grande (Moy Lin Dei)
o Mestra Ursula Lima (Moy Lin Ma)
o Outros Qualificados: Leonardo Mordente, Fábio Matsushita, Ricardo Queiroz, Fábio Gomez, Domenico Bernardes, Felipe Soares, Diego Guadalupe, Walter Correia, Liana Lott, Willian Nogueira,Peter Hutchinson, Rodrigo Giarola, Thiago Quintela, Pedro Valadão, Rafael Castro, Guilherme Freitas.
O vídeo que segue anexo a esta crônica feito nos 20 anos da MYVT em Minas Gerais mostra um pouco da trajetória da Família Moy Yat Sang em Minas Gerais.
Procure achar o Tunico (Moy Hoh Laai) nas fotos, rsss - mais magro e com cabelo e cavanhaque pretos.
Saiba mais em: https://kungfulife.art e https://moyyat.org
* Tunico Caldeira é publicitário, gestor cultural, professor e artista plástico
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