Projetos de mineração de terras raras motivam debate sobre impactos
Poços de Caldas (MG) - O avanço de projetos voltados à extração de terras raras no Sul de Minas Gerais motivou a classe artística, agentes culturais e movimentos sociais a organizarem um debate público sobre os reflexos dessa atividade na identidade e na economia local.
Nesta terça-feira, 26, às 18h30, a Casa Ninja Lab3 (Rua José de Carvalho, 227, Jardim Planalto) sedia o encontro "Terras Raras e o setor da Cultura de Poços de Caldas".
O evento é gratuito e busca integrar a sociedade civil, especialistas e gestores públicos na análise dos impactos acumulados dos novos empreendimentos minerários previstos para a região.
O território local concentra atualmente três grandes iniciativas de corporações internacionais: o projeto Colossus, da australiana Viridis, em Poços de Caldas; o projeto Caldeira, da Meteoric, em Caldas; e as prospecções da Power Minerals, que também planeja operar na região.
A mobilização popular aponta que a sobreposição dessas operações de grande porte pode alterar de forma drástica a paisagem serrana, os recursos hídricos e as dinâmicas sociais das comunidades envolvidas.
Impacto ambiental
De acordo com documentos protocolados em fevereiro de 2026 junto ao Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC), os organizadores alertam que o projeto planejado para Poços de Caldas é classificado como de grau 6, o nível máximo na escala de impacto ambiental.
A área prevista para a instalação fica a menos de um quilômetro de escolas e unidades de saúde, situada em uma zona de recarga hídrica fundamental para o abastecimento do município.
A ausência de estudos específicos sobre o impacto cultural e a falta de um mapeamento oficial de comunidades tradicionais na Zona Sul - região diretamente afetada - são as principais queixas dos ativis-tas em relação à condução dos processos pelas esferas municipais.
Foram formalmente convidados para a mesa de discussões representantes da Secretaria Municipal de Cultura, do CMPC, do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (CONDEPHACT), da Prefeitura e da Comissão de Terras Raras da Câmara.
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