Atingidos de Brumadinho ocupam linha férrea da MRS em protesto
Quase sete anos após tragédia, manifestantes exigem auxílio emergencial
Mario Campos (MG) - Pessoas atingidas pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho realizaram um protesto na manhã desta terça-feira, 28, ocupando a linha férrea da MRS, que integra o ramal logístico Paraopeba, em Mário Campos.
O ato, organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), é um sinal de revolta contra a lentidão e a falta de reparação efetiva dos danos causados pela mineradora Vale desde o crime ocorrido em 2019.
Os manifestantes apresentaram três reivindicações centrais:
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Pagamento Imediato do Auxílio Emergencial: A população cobra que a Vale cumpra a Lei da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB) e retome o pagamento do Auxílio Emergencial. O Programa de Transferência de Renda (PTR), que funcionava como medida de mitigação, chegou ao fim em outubro de 2025 devido ao esgotamento dos recursos definidos em acordo de 2021. Os atingidos alertam para a degradação de suas condições de vida e o aumento das mazelas sociais, já que a reparação está longe de ser concluída — apenas 10% da população foi indenizada e a limpeza do rio Paraopeba caminha em ritmo lento.
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Garantia da Assessoria Técnica Independente (ATI): Os manifestantes exigem o respeito à escolha das comunidades e a permanência da entidade que presta serviço de Assessoria Técnica Independente (ATI) para seis municípios (Brumadinho, Mário Campos, Betim, São Joaquim de Bicas, Igarapé e Juatuba). Eles denunciam que os Ministérios Públicos e a Defensoria Pública de Minas Gerais estariam removendo a entidade de forma arbitrária e sem consulta popular, impondo um valor insuficiente para a continuidade do trabalho.
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Condições para Participação na Gestão dos Projetos: É solicitada a liberação do pagamento de diárias para os conselheiros e conselheiras, membros das comunidades atingidas que participam voluntariamente da gestão dos projetos de reparação coletiva (Anexo 1.1). O objetivo é compensar o tempo de trabalho perdido, garantindo condições para a participação efetiva na governança dos recursos.
O ato de protesto ocorreu em uma linha férrea crucial, utilizada por várias mineradoras, incluindo a Vale, e marca a continuidade da luta por direitos e uma reparação justa para as mais de 160 mil pessoas impactadas na bacia do Rio Paraopeba.
Os manifestantes aguardam uma posição da Vale e das Instituições de Justiça (Ministérios Públicos e Defensoria Pública) sobre as solicitações.
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