Renascer pelas flores de Brumadinho: uma parceria entre ACOPAPA e Holambra
Na coluna Na Garupa com o Tunico, crônicas sobre estradas, histórias e destinos mineiros. Uma visão pela alma e pelo coração do Tunico, sobre as experiências que se pode sentir sobre duas ou quatro rodas
Hoje quem sobe na garupa comigo é o Parque da Cachoeira. Mas quem guia o caminho... são as flores.
No relógio da história, 25 de janeiro de 2019 parou às 12h28. Foi quando a lama matou o tempo, os sonhos e 272 vidas.
Brumadinho, com seus mais de 639 mil km² de terras e histórias, mergulhou numa dor que não se mede – uma dor mineral, espessa, injusta.
Ali, onde a natureza chorou lama e a justiça ainda engatinha, comunidades inteiras desapareceram em segundos. E o que ficou, precisou ser reconstruído.
Nos rostos, nas mãos calejadas, nos olhos que ainda buscam. Porque mesmo agora - enquanto este texto é escrito - um corpo ainda não foi encontrado. Diante da dor, nasceu uma ideia.
Sutil como uma semente, resistente como uma raiz. Durante uma audiência pública na CPI da Assembleia Legislativa, alguém ousou sonhar: que as comunidades mais feridas - Córrego do Feijão, Parque da Cachoeira, Pires, Alberto Flores e Parque do Lago - Teriam de renascer... me veio uma ideia, porque não pelas flores?
Flores para Brumadinho. Flores que cicatrizam sem esconder. Flores que acolhem sem negar a tragédia.
Flores que não esquecem, mas que transformam.
A ideia, deixada de lado naquele momento, em função dos trabalhos da CPI, me fizeram olhar mais de perto para o Parque da Cachoeira, fui até lá e pude constatar que precisava abraça-los e através da ACOPAPA - Associação Comunitária dos moradores do Parque da Cachoeira, Parque do Lago e Alberto Flores - decidimos então que iriamos semear.
Unimos forças com Holambra, capital nacional das flores. Quem mais no Brasil teria autoridade, sensibilidade e estrutura para nos ensinar a brotar de novo?
Holambra responde por 92% das flores vendidas no país. É o jardim que abastece lares, celebrações e esperanças. Era o parceiro ideal. E então, começamos.
O projeto "Renascer pelas Flores de Brumadinho" quer mais do que plantar flores. Quer cultivar autonomia. Quer regar autoestima. Quer colher dignidade.
• O que propomos:
• Apoio técnico e formação para o cultivo de flores, folhagens, frutos e hortaliças.
• Incentivo à organização comunitária e à economia solidária.
• Um viveiro de mudas com espécies nativas, para restaurar a terra e a alma.
• Minicursos, infraestrutura, acesso a mercado e novas possibilidades.
• O que buscamos:
• Parceiros que nos ensinem, orientem e caminhem conosco.
• Tornar Brumadinho um polo de produção e também um símbolo de superação.
• Fazer deste projeto um exemplo para o Brasil e para o mundo.
Inhotim, com seus mais de mil visitantes por dia, pode ser a vitrine dessa transformação. E as flores, nossos embaixadores da resiliência.
Nestes quatro anos, aprendemos o que é ser forte quando não se tem escolha. Vimos a pandemia reforçar a importância de diversificar. O turismo em Brumadinho floresceu mesmo em meio aos escombros.
E agora, com obras de reparação espalhadas por todo o território - estradas, praças, parques, revitalizações, portais, comunidades quilombolas, roteiros de cicloturismo e mototurismo - há um novo chão fértil que pede cor, perfume e esperança.
Não se trata apenas de jardinagem. É paisagismo da alma. Esse projeto não foi só resposta à dor. Foi bússola. Foi abraço.
Foi ponte entre a desesperança e o recomeço. Hoje, ver o que brotou é ter certeza: valeu cada gota de esforço.
O Parque da Cachoeira, que viu a lama levar tanto, agora vê brotar flores, ideias, negócios, autoestima.
Por isso, você que chegou até aqui na garupa do Tunico: Venha conhecer.
No dia 3 de agosto, realizaremos a 1ª Feira dos Empreendedores do Parque da Cachoeira. Venha sentir o perfume de quem não desistiu. Venha se inspirar com quem, mesmo sem ver o futuro, ousou plantá-lo.
* Tunico Caldeira é publicitário, gestor cultural, professor e artista plástico
Qual é a sua reação?

